Sandra Dodd: Porque fiz “unschooling” com os meus três filhos
por Julie Taylor, 2010; traduzido por Marta Venturini Machado, 2012


Quando ouvimos falar sobre “unschooling” esta semana no “GMA” [“Good Morning America”, um programa de informação e entretenimento matinal da estação televisiva norte-americana ABC], não tínhamos a certeza sobre o que era. Queríamos encontrar uma mãe que tivesse feito “unschooling” com os seus filhos e que sentisse que essa tinha sido a decisão acertada para a sua família. Isto levou-nos a Sandra Dodd, que fez “unschooling” com os seus três filhos – agora com 18, 21 e 23 anos de idade. Nunca tiveram um dia de ‘escola normal’ – e Dodd não se arrepende.

momlogic: Porque é que tomou a decisão de fazer “unschooling” com os seus três filhos?

Sandra Dodd: Não foi "uma decisão" tomada de uma só vez. Nós registámo-nos no ensino doméstico para fazer o primeiro ano da pré-primária. Foi tão fácil e divertido que continuámos mais um ano. Cada criança tinha a opção de ficar em casa ou ir para a escola e, pela altura em que o terceiro escolheu ficar em casa, eu já tinha cinco anos de experiência considerável de “unschooling” e foi uma escolha fácil, porque a nossa vida em casa era pacífica, atarefada e interessante.

Eu conheci quatro famílias que tinham as crianças em ensino doméstico, alguns anos antes de eu ter considerado o ensino doméstico. Duas estavam a fazer escola em casa e as outras duas “unschooling”. As famílias que estavam a fazer “unschooling” tinham relações fantásticas com os seus filhos e as crianças eram mais abertas, honestas e comunicativas. Eu queria isso.

ml: Pode explicar o que significa “unschooling” para si?

SD: O “unschooling” consiste em organizar as coisas para que a aprendizagem natural tenha lugar. Envolve ter um ambiente rico e respeitar as ideias e os interesses das crianças.

ml: Qual é a diferença entre o “unschooling” e o ensino doméstico (“homeschooling”)?

SD: O “unschooling” é ensino doméstico, mas não é escola em casa. Nem todas as famílias com crianças em ensino doméstico recriam os programas escolares, as lições e os testes. Algumas famílias têm cadernos de avaliação e outras coisas que têm a ver com a gestão de grupos grandes. É como se trouxessem para casa a linha de montagem para uma criança apenas, ou para poucas crianças.

Algumas pessoas praticam o ensino doméstico porque pensam que as escolas ensinam demais e não estão a controlar as crianças suficientemente bem. Algumas pessoas praticam o ensino doméstico porque pensam que as escolas ensinam de menos e controlam demasiado. Não me importo que os meus filhos aprendam coisas que as escolas têm medo de ensinar, ou que tenham opções nas suas vidas. Praticar em coisas pequenas deu-lhes conhecimento e experiência para quando passaram a ter idade suficiente para praticar em coisas maiores. Algumas famílias praticam ensino doméstico para limitar o acesso e a liberdade dos seus filhos. Para nós, é o oposto.

ml: Tem dito que o seu único arrependimento em relação ao “unschooling” foi ter dado ao seu filho duas lições e meia de leitura aos 7 anos – pode desenvolver esta afirmação?

SD: Eu estava preocupada com a opinião dos meus sogros. O meu filho não estava preparado para ler. Eu subornei-o e pressionei-o e, algures a meio da terceira lição, eu olhei para ele e apercebi-me que precisava de me preocupar mais com o que ele sentia, do que com aquilo que a minha sogra pensava, e que a parceria e relação com o meu filho devia vir em primeiro lugar. Eu sabia que ele ia aprender a ler e ele aprendeu. A sua leitura de partida foi um manual de instruções para jogadores da Nintendo, nem por isso uma leitura de principiante. Primeiro, aprendeu a ler mapas e gráficos. Depois vieram as palavras. Ouvir histórias lidas por alguém e estar rodeado de texto não fizeram mal, mas foram o seu interesse e desejo e capacidades mentais, tudo em conjunto, que fizeram com que acontecesse sem esforço.

Os meus outros dois filhos aprenderam a ler de formas diferentes, mas sozinhos também. Nós respondemos a todas as suas questões e ajudámos com palavras, e discutimos porque é que, de vez em quando, a forma como as palavras se soletram em Inglês é estranha, mas estas eram conversas e não aulas. Cada pessoa, quer esteja na escola ou não, acaba por perceber à sua maneira como é que se lê.

sandra dodd

ml: Como é que os “unschoolers” aprendem a ler e a escrever?

SD: As crianças querem fazer o que os pais estão a fazer. Pais que escrevem por gozo, que fazem listas à frente dos seus filhos, que lêem e escrevem cartas (ou, pelo menos, e-mails) e que partilham isso com os seus filhos, estão a fazer com que isso pareça importante e útil. Pais que não escrevem de todo podem ter mais dificuldades em ter crianças que o queiram fazer, mas nós não tivemos problemas nenhuns em minha casa. As suas primeiras escritas eram frequentemente listas de coisas que lhes pertenciam ou que queriam, ou as regras de jogos, ou poesia. Às vezes, eu transcrevia e eles re-escreviam, mas não era um trabalho de casa, era um jogo, feito porque eles pensavam que era divertido. E era divertido, porque, quando deixava de o ser, eles faziam outra coisa qualquer.

ml: Você já foi professora – isso pesou como factor na sua decisão de fazer “unschooling” com os seus filhos?

SD: As aulas sobre educação que eu tive foram no início dos anos 70, no auge do movimento da reforma escolar, numa universidade em que “A Sala de Aula Aberta” era valorizada e promovida. Eu ensinei numa altura em que era dada aos professores muita liberdade, numa escola em que muitos dos outros professores me conheciam desde que nasci. Isso foi bom. Mas a reforma escolar não aconteceu, e as coisas escorregaram um pouco para formas menos criativas de novo. Tenho a certeza que a experiência fez com que fosse mais fácil para mim confiar que um ambiente rico e adultos atenciosos eram o suficiente.

ml: Os seus filhos têm agora 18, 21 e 23 anos. Pode contar-nos um pouco como eles estão agora – se estão na faculdade, se estão empregados, se fizeram os testes “GED” [Os testes de Desenvolvimento Educacional Geral (General Educational Development) ou “GED” são um conjunto de cinco testes temáticos que, quando passados, certificam que a pessoa que os realizou tem as competências equivalentes ao nível escolar americano ou canadiano de ensino secundário.], se são felizes?

SD: Eles são todos felizes e saudáveis e envolvidos em várias coisas. Não foram necessários GED’s. O mais velho vive em Austin (Texas) e trabalha para a “Blizzard Entertainment”. Para aqueles que não sabem o que é, é uma empresa internacional forte e em desenvolvimento. Eles pagaram a mudança dele, tem boas condições e férias pagas. Para aqueles que sabem o que a Blizzard é – sim, é um emprego muito fixe. Ele trabalha para eles desde os 20 anos.

O meu filho do meio já teve 3 empregos, sendo que todos duraram mais de um ano. Isso é muito bom para um rapaz de 21 anos. Ele é baterista. Está a comprar um Jeep. Recentemente ficou desempregado, mas em parte por nossa causa. Deu-me uma ajuda com duas conferências de “unschooling” e ajudou o pai depois de uma cirurgia recente ao ombro. Tem tido alguns trabalhos para tomar conta de casas e de crianças que foram bem pagos. Está indeciso em relação a empregos ou à faculdade, apesar de se ter registado numa Community College (nota: uma Community College não é propriamente uma Faculdade; nos EUA, são apenas locais, a nível regional, onde se podem frequentar aulas de diferentes áreas durante dois anos, pós-ensino secundário - ver aqui http://en.wikipedia.org/wiki/Community_college) para o Verão. Ele tem amigos que continuam a convidá-lo para ir viajar para fora e não nos incomoda de todo que ele esteja a tirar partido dessas oportunidades.

A mais nova está no Quebec por uns meses, a viver com uma família “unschooler” trílingue e a ajudá-los com as suas filhas pequenas. Eles vão a uma conferência, perto de Montreal, em Junho. Eu vou visitá-los antes disso, a caminho de uma outra conferência em que vou falar, em Nova Jérsia. No inverno passado, ela passou seis semanas no Reino Unido com uma família “unschooler” e, antes disso, esteve no Oregon com uma família que já conhece há anos. Está a ter a oportunidade de conhecer outras partes do mundo e aprender mais sobre as dinâmicas familiares, o que sempre a interessou. As famílias anfitriãs têm a oportunidade de conhecer alguém que cresceu sem escola, o que os ajuda a ter a confiança de que o “unschooling” pode funcionar.

ml: Tem alguns remorsos por ter feito “unschooling” com os seus filhos?

SD: Nenhuns. Faria tudo de novo, sem pestanejar.

ml: O que é o “radical unschooling”?

SD: O “unschooling” consiste em aprender a partir do mundo que nos rodeia, que está à nossa volta. O “radical unschooling” consiste em ver que a aprendizagem é muito mais do que a parte académica e que a aprendizagem acontece a todas as horas do dia e noite, não apenas “durante as horas de escola”. Não é radical no sentido revolucionário. É radical no sentido em que está baseado na raíz da ideia da aprendizagem natural.

ml: Como é que responde às pessoas que dizem que o “unschooling” é irresponsável?

SD: Ninguém que conheça pessoalmente a nossa família diz isso. Quando pessoas estranhas, que não sabem do que falam, dizem isso, eu ofereço-lhes um link para o meu blog ou para o meu site.

ml: Qual é o seu conselho para as pessoas que estão a considerar o “unschooling”?

SD: Não existe uma resposta breve, curta para essa pergunta. Eu ajudo as pessoas a compreender o “unschooling” a toda a hora, todos os dias, e faço-o há quinze anos ou mais. É simples, mas não é fácil, porque os pais precisam de recuperar dos medos profundos e preconceitos que vêm de anos de escolarização e ultrapassá-los. Uma criança irá recuperar rapidamente da escola, mas demora mais tempo para os pais. No entanto, muitos já o fizeram e acharam as suas vidas mais alegres e leves. Aconselho-os a serem parceiros dos seus filhos, e não seus adversários (um conselho que me foi dado por uma moderadora da La Leche League em 1986). Digo-lhes para olharem directamente para o seu filho sem as camadas sobrepostas ou os filtros ou os rótulos – para verem quem ele é, no presente momento, e reagir de acordo com isso. Digo-lhes que se estão preocupados por não estarem a fazer o suficiente para tornar a vida interessante e cintilante, então devem fazer mais. Muitos “unschoolers” têm contribuído com escritos e ideias e imagens que nós podemos referenciar aos “unschoolers” mais novos. A informação e a inspiração estão disponíveis.

Algumas pessoas dizem “Mas eu tenho um emprego fora de casa.” A aprendizagem não precisa de acontecer “durante as horas da escola”. Mesmo que um pai/mãe trabalhe 40 horas, ainda sobram muitas horas na semana para aprender! O local onde as crianças ficam enquanto o pai/mãe está a trabalhar não precisa de ser “a escola”. Pode ser qualquer pessoa que cuide delas. Assim que um pai/mãe comece a entrar no ritmo do “unschooling”, irá ver que a aprendizagem acontece a toda a hora.

ml: Pensa que a escola pública pode esmagar o amor pela aprendizagem em algumas crianças?

SD: Toda a gente sabe isso.

ml: Os seus filhos tinham regras relativamente à hora de deitar, nada de doces antes do jantar,… esse tipo de coisas?

SD: Nós não tínhamos essas regras, mas os nossos filhos iam para a cama todas as noites e não comiam doces antes do jantar. Parece uma loucura para as pessoas que acreditam que as únicas opções são ou regras ou caos, mas os nossos filhos dormiam quando tinham sono e comiam quando tinham fome (ou quando havia alguma coisa que cheirasse mesmo bem ou havia outras pessoas a comer), e eu fiquei agradavelmente surpreendida por aprender que eles eram capazes de saber o que é que os seus corpos precisavam. Eu cresci com um horário, levantar às 6.30h, comer depressa, paragem de autocarro, escola, esperar pelo almoço, comer, esperar pelo jantar, ir para a cama. Não fazia a menor ideia que o sono e a comida podiam estar separados de um horário desse tipo, mas podem.

sandra dodd

ml: Os vossos filhos foram tendo amigos à medida que cresciam?

SD: Nós estávamos ligados à La Leche League e temos ficado sempre na mesma cidade, por isso ainda existem amigos que eles têm agora que conhecem desde que eram bebés. Eles tiveram amigos do karaté, do hóquei, da dança, de “playgroups” ligados ao ensino doméstico, da loja de jogos, e conheceram amigos desses amigos. Eles travaram amizades jogando Pokemon, quando esse jogo estava na mó de cima. A nossa casa também era um local onde todos se encontravam, com mesas extra, jogos de mesa, jogos de vídeo e quartos para pernoitarem. O Kirby esteve ligado a um clube de Anime durante muitos anos e foi a convenções em Denver, e era destacado para gerir a sala de Anime nos eventos locais.

Eles também têm feito amizades com outros “unschoolers”, cada vez mais ao longo dos anos, por todo o país – pessoas que conheceram nas conferências sobre “unschooling”. Visitaram famílias noutros estados e nós temos tido visitas.

ml: Quais são algumas das formas não-convencionais através das quais os seus filhos aprenderam fora da sala de aula?

SD: Jogos de vídeo e jogos de cartas coleccionáveis. A princípio pensei “não havia nada não-convencional”, mas tenho a certeza que algumas pessoas pensariam que sim. Nós cantávamos muito no carro, algumas vezes coisas educacionais para crianças e outras vezes coisas que eram apenas engraçadas. Todos os meus filhos gostavam de música dos anos 60 enquanto novos e são bons cantores, por isso tem havido muita interacção e pesquisa ligada à música. Como começaram a ler cedo, eles tinham as letras das canções de que gostavam. Temos discutido sempre as coisas e pesquisado sobre elas. Temos livros e posters e humor e folhas de estudo plastificadas interessantes na casa-de-banho.

Fui sempre colocando coisas em cima das mesas, das bancadas, nas casas-de-banho, apenas porque eram engraçadas e interessantes. As crianças encontravam-nas eventualmente, pegavam nelas ou não, brincavam com elas ou falavam sobre elas. Quando paravam de ser interessantes, eu guardava-as e trazia outra coisa qualquer cá para fora. Dei-lhe o nome de “strewing” [em português, “strew” significa espalhar, semear, derramar; no entanto, o verbo, tal como é utilizado no contexto do “radical unschooling,” vai um pouco mais além – ver http://sandradodd.com/strew/sandra] e muitas famílias têm usado o conceito com resultados consideráveis.

Nunca “obrigámos” os nossos filhos a ter empregos, mas eles têm tido empregos desde os 14 ou 15 anos, e aprenderam muito com o trabalho em si e com os colegas (outra fonte de amizades). Eles aprenderam ao oferecer-se para ajudar as pessoas a fazer coisas e eram-lhes oferecidos empregos, porque eles também estavam dispostos a ajudar gratuitamente.

ml: O “unschooling” é legal?

SD: O ensino doméstico (“homeschooling”) é legal e o “unschoooling” é uma forma de praticar o ensino doméstico. Cada família tem de compreender a aprendizagem natural suficientemente bem para a fazer funcionar de tal forma, que podem estar confiantes que os seus filhos estão a aprender. A legislação é muito diferente de estado para estado, mas existem “unschoolers” em cada estado que podem aconselhar outros sobre a melhor forma de cumprir os requisitos legais a nível local. Apesar dos relatos em contrário, o “unschooling” não consiste em “não fazer nada”. Existe uma grande quantidade de coisas feitas envolvida!

ml: Os “unschoolers” conseguem tornar-se adultos bem sucedidos?

SD: Claro! Quando chegam à idade adulta, eles já estiveram no mundo durante muitos anos. Não são mantidos em casa até aos 18 anos e depois soltos para enlouquecerem. Foram oferecidos empregos, em circunstâncias não relacionadas, a cada um dos meus filhos, enquanto eles estavam a meio da adolescência, por adultos que os conheciam e que se deram conta da fiabilidade e inteligência de cada um. Eles provaram ser honestos, conscientes e ansiosos por trabalhar e aprender. Davam sempre duas semanas de aviso, caso fossem demitir-se, enquanto os jovens à volta deles deixavam os empregos sem sequer dizer que se iam embora.

Um dos seus amigos “unschooler” daqui conseguiu um emprego num “call center” de uma empresa de comunicações móveis aos 16 anos. Quando fez 18 anos, era supervisor. Uma das trabalhadoras mais novas (que terminara o liceu) queixou-se quando descobriu que ele nem sequer tinha um GED e era superior hierárquico dela. A escola tinha-lhe feito falsas promessas acerca do valor de um diploma do liceu. Ele estava a trabalhar lá há mais de um ano, conhecia verdadeiramente o trabalho e era fiável. Estas coisas são mais importantes que diplomas.

Todos os meus filhos trabalharam em empregos ao lado de licenciados. Os meus conseguiram fazê-lo sem empréstimos para pagar, embora ainda possam, eventualmente, vir a contrair uma dívida para frequentar a faculdade. O meu marido obteve a sua licenciatura em engenharia com quase 29 anos, e ele passou pela escola pública e daí foi directamente para a faculdade. Ficou sem forças, cansado da escola e da escolarização, por volta dos 20 anos. No entanto, as forças voltaram, assim que ele teve algum tempo para recuperar. Os meus filhos não vão precisar de recuperar da escolarização.

ml: Quer acrescentar mais alguma coisa?

SD: Eu tinha previsto que os meus filhos aprendessem e eles aprenderam. O que me surpreendeu foi a facilidade com que lidavam com pessoas de todas as idades, desde crianças pequenas a adultos. Eles estabeleciam contacto visual e cumprimentavam as pessoas com um passou-bem desde muito cedo. Têm atitude e são confiantes.

Houve muitos benefícios que eu não esperava que acontecessem e todos foram positivos. A parte mais difícil de todas é a crítica por parte daqueles que não fazem ideia do que estão a dizer. Contudo, a confiança cresce, à medida que as famílias praticam o “unschooling”, e depressa a crítica parece menos assustadora, assemelhando-se mais a inveja ou ressentimento ou medo.

O “unschooling” não é um movimento para deitar as escolas abaixo. É uma de muitas opções. Não é fácil e cada família fá-lo na sua casa, à sua maneira. Só isso o torna difícil. Não é como aparecer num mesmo sítio, todos os dias, e sorrir e permitir que outras pessoas tornem a vida dos vossos filhos interessante.

Parte do ressentimento e do medo envolve o facto de se ter escolha. Apesar de ter adorado a escola em geral, lembro-me que, quando estava infeliz com qualquer coisa de lá, a minha mãe dizia-me com toda a confiança que eu tinha de ir, que não havia alternativa, que era a lei e que os meus pais estariam em apuros se eu não fosse. É mais fácil quando os pais podem dizer isso. Se os pais não tiverem escolha, isso faz com que estejam inocentes da infelicidade dos filhos, ou de algum mal que lhes aconteça. Quando outros pais encontram uma opção e a escolhem, isso mostra que existe uma alternativa e que a segurança do “não há escolha” desapareça. É por isso que muitas famílias que praticam o ensino doméstico também se queixam dos “unschoolers”. Disseram aos seus filhos que têm de se sentar à mesa e fazer os trabalhos da escola; não há opção. Quando os seus filhos conhecem “unschoolers” e dizem “Mas o Marty não tem de fazer…”, os pais ficam zangados com os “unschoolers” por perturbarem a paz. Contudo, uma vez que eu fui incapaz de sacrificar a felicidade e a aprendizagem cheia de alegria dos meus filhos para que os outros se sentissem bem com o que estavam a fazer, não era possível evitá-lo. Não estava seguramente a praticar o “unschooling” para tornar alguém infeliz!


Ler mais aqui:
http://www.momlogic.com/2010/04/why_i_unschooled_my_three_kids.php#ixzz1jZxz8PB2
(backup copy in English) Uma Entrevista com Sandra Dodd, 1998 More in Portuguese