PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE O "UNSCHOOLING"
E RESPECTIVAS RESPOSTAS:

(Traduções em Português por Marta Venturini Machado)

Estas são algumas das questões que mais frequentemente são colocadas nos fóruns de discussão online e nas conferências sobre o "unschooling" (reunidas pela Sandra Dodd e pela Rippy Dusseldorp e respondidas pela Sandra):

1. Como é que eles vão aprender a ler?
Na escola ou fora dela, cada criança aprende a ler à sua maneira, à medida que vai percebendo como se faz. Pessoas diferentes lêem de maneiras diferentes. Algumas são mais visuais, algumas soletram as letras e outras estão a ler grupos de palavras.

Ler é complexo, mas ensinar raramente ajuda. Enquanto o cérebro e o corpo de uma criança não tiverem amadurecido de diversas formas misteriosas para que ela possa processar a informação visual e ligá-la à linguagem que existe dentro de si, de forma a que complete o puzzle, a criança não conseguirá ler, quer esteja na escola ou não. Algumas crianças têm 3 anos, outras 13, mas envergonhar e pressionar nunca ajudam.

2. Então e a álgebra?
As pessoas perguntam sempre isso. Muitas pessoas que estudaram álgebra na escola nunca a compreenderam. Algumas das que a compreenderam nunca perceberam como é que a iam usar nas suas vidas normais.

A álgebra pode ajudar com a lógica, e ajuda com a programação, ou com html, de certa forma (parte da "linguagem" da álgebra), mas as crianças aprendem frequentemente truques de formatação online com os seus blogs ou com os jogos, e isso faz com que aprender álgebra seja mais fácil, se eles chegarem a um ponto na vida em que precisem dela.

Existe um artigo aqui (em Alemão e em Inglês, com algumas ideias sobre os tipos de matemática com que as pessoas se preocupam): http://sandradodd.com/math/unerzogen

3. Eles podem ir para a faculdade/universidade?
A Sandra diz que nunca ouviu falar de ninguém a quem tenha sido recusado o acesso no ensino superior porque tinham estado em ensino doméstico, fosse qual fosse o tipo de ED. Se são exigidos testes, os miúdos podem fazer o teste e depois preparar-se melhor, se não se tiverem saído tão bem quanto queriam, ou então podem estudar antes de fazerem o teste. Algumas universidades nos EUA aceitam pessoas à experiência durante um período de tempo, e se elas se saírem bem, entrarão na universidade. Outras aceitam um portfolio em vez de um currículo escolar.

Existem dezenas de histórias de professores que dizem adorar ter alunos "unschoolers" nas suas aulas, e histórias de "unschoolers" que gostaram muito das aulas e se saíram muito bem.

4. Então e a socialização?
As escolas "ensinam" as crianças a dar-se bem na escola. As crianças que vivem no mundo real aprendem a dar-se bem com pessoas de todas as idades, nas mais diversas situações.

A Sandra conta uma história muito engraçada sobre isto. Quando andava na escola, no ensino secundário, as notas mais baixas que teve foram "C's" (média) em conduta ou comportamento. Mais do que uma vez nas aulas foi mandada calar com o aviso "Não estás aqui para socializar".

5. Como é que vamos saber se eles estão a aprender?
Os professores precisam de medir e documentar porque eles precisam de mostrar progresso para que possam ser pagos e manter os seus empregos. Eles testam e medem porque nem sempre conhecem cada criança bem.

Os pais sabem que a criança está a aprender porque eles estão a ver e a discutir e a fazer coisas juntos todos os dias. Não é cinco dias por semana, ou a maior parte do ano, mas todos os dias das suas vidas inteiras.

6. Como é que sabemos que eles conseguem ler?
Como é que souberam que eles conseguiam andar de bicicleta? Como é que os pais sabem que um bebé consegue andar? Falar?
7. Como é que eles vão aprender a soletrar?
De forma gradual e natural. Cada criança acaba por descobrir como fazê-lo. Alguns saem-se melhor que outros, mas isso também é verdade na escola. Para alguns miúdos, a escola diz-lhes que quando eles eram pequenos, não sabiam soletrar bem, que outros sabiam soletrar melhor, que se não trabalhassem, estudassem, praticassem, nunca iriam saber soletrar bem. Os "unschoolers" nunca deverão ouvir tal coisa, e quando descobrem como fazê-lo, sentem-se bem sucedidos.
8. Se eles decidirem ir para a escola, como é que vão conseguir "apanhar" as matérias?
Há algumas crianças que já estão adiantadas. Talvez a sua caligrafia não tenha sido tão utilizada, ou então pode ser que precisem de aprender notação matemática e praticar escrever os números à mão, se têm usado computadores e calculadoras e telemóveis para fazer cálculos e para comunicar. Portanto, de certa forma, eles podem estar bastante adiantados, mas aparentarem "estar atrasados", porque as crianças na escola estão a usar papel e lápis, em vez de computadores.

Outra maneira de pensar sobre a escola é pensar no que acontece quando uma pessoa passa a viver numa cultura muito diferente -- Quénia, Japão -- onde o sistema de escrita ou a cultura ou a linguagem são extremamente diferentes -- eles apanham o que precisam no espaço de um ano ou dois.Alguém que esteja a viver na mesma cultura, com a mesma linguagem, não deve ter grandes problemas.

9. Como é que eles vão aprender a trabalhar em equipa?
Os filhos da Sandra participaram em pequenos projectos teatrais, de organização de festas, de actividades e torneios ligados à indústria dos jogos de vídeo, de desportos, que eles próprios organizaram, projectos voluntários geridos por outras pessoas -- eles não estavam a fazer de conta que estavam a fazer coisas, eles estavam efectivamente a fazer coisas reais, com objectivos reais e pessoas reais.
10. Como é que eles vão aprender a escrever caligrafia?
Se eles quiserem, vão copiar a letra de outras pessoas ou vão arranjar um caderno para praticar. A Sandra conta que a avó dela nasceu por volta de 1902. Ela disse, nos anos 60, que estava preocupada por ela não saber como usar uma caneta de tinta permanente, mas ninguém da idade da Sandra sabia. No entanto, nos anos 70, ela aprendeu a fazer caligrafia com canetas de aparo e fez canetas a partir de penas. Não era importante. Era arte e era divertido.

Quando as coisas não são obrigatórias e não são "tarefas", é mais fácil querermos fazê-las.

Mas o mundo está a mudar e a caligrafia pode ser tão incomum em 2025 como as canetas de tinta permanente eram em 1965.

11. Como é que eles vão aprender a tabuada se nós não lhes pedirmos para a memorizarem?
Memorizar as respostas não é a mesma coisa que perceber a multiplicação. Os filhos da Sandra praticaram preenchendo tabelas e descobriram os padrões por si próprios dessa maneira, mas nunca as memorizaram. Para pequenos cálculos, fazem-nos de cabeça. Para cálculos maiores, utilizam máquinas de calcular. Eles têm calculadoras nos telemóveis. Perceber como funciona e sabendo que existem padrões é mais importante do que memorizar. No século XIX, antes de haver máquinas de adição mecânicas e quando toda a matemática ligada aos negócios era feita à mão, era importante que os escriturários memorizassem as somas. Já vamos no século XXI e todo e qualquer negócio é feita através da imputação de dados.

Existem duas histórias sobre "unschoolers" e tabuadas aqui: http://sandradodd.com/timestables

12. Como é que eles vão aprender a lidar com "bullies"?
Porque é que as pessoas hão-de praticar a lidar com "bullies" durante anos? Não haveria tantos "bullies" se as crianças não fossem forçadas a estar onde não querem estar. Existem "bullies" nas escolas e nas prisões. Onde mais? Talvez nas forças militares. Nas confrarias universitárias.

Uma pessoa forte que tenha crescido com confiança vai estar melhor equipada para lidar com situações difíceis na idade adulta do que uma pessoa que foi alvo de "bullying" durante anos. E na escola, algumas pessoas nunca, mas nunca, conseguem enfrentar eficazmente um "bully" ou a evitar a crueldade dos outros. Não é algo pelo qual os pais devam ansiar ou que as escolas devam defender como sendo saudável.

13. Como é que eles vão aprender a aprender?
Aprendendo.
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